3.4.11

aborígene

f.f.


o verbo pode abolir a árvore
o verbo pede abolir a árvore
Horácio Costa

como um prédio
media a média do meio dos outros a mais
hecha en piedra
paralisada em perfeito pasmo de construção
                               cresce crua aos sinais
                                                  (sós se o são)
ela mesma caverna
cavada mesma a terra — cravada em si as feras
mortinactifeita
embora viva
                        [excarrada e exculpinda]
nunca ida ; chagada ao teto
a partir da dureza dissolvida
do concreto



lança-se acima
di                                (e)reção d[á]s     nu  ven         s
     (e)rig    indo a di                                            (tre)
por plena fuga da prisão murada
de um quintal
      nó de nada
                                               [arquitetura falha]
e dali do alto ela vê?
       vago vasto horizonte  
         (visto novo ; nula fonte :
         grosso modo , h  our  i z  ont  em)
sempre o sonho entretesendo
só silentes solitudes
dos destros portes à flâmea sorte
nos quartos quando entrada
através das veias ornadas de esmeraldas
e no carnaval
            beija-flores de vidro
pronto às
floradas
            luzes sonilundas apregoadas
            no ventre vertente de néctar
: rubis e quartzos
rosa
o céu geme e treme
  [no lusco-fusco o cinza é prenhe]


de amor
o palor de sua imagem conjuga
no centro dum jardim
            this Summer springs
ctônica ad vinha da vinda
                        and brings the brink
verduga
       (aBrIgaNdO o ABrIr dA viDA)
o centrípeto olhar
aos vizires vizinhos noutros prédios
                                               narguilando essências sudoríparas
silenciociando em ninhos
por onde longe meu olhar

preda com pedra de funda

            e  a
            f
     u
            n
         d
   a
— rotunda —
            uma catedral insone de sepulto pó
onde mandragorizando o silêncio de negrume
o primigênito casal sonha com o nume
sem nem um lume
feitos aflitos nós
           tu e eu
                                                                                                                                       duplo breu


assim também dela centrifugam
                                   paupérrimos pios nonatos
                                   violados n’ ovo lato
todos os meus segredos
dos olhares de concreto resguardados
            concretizam bem de perto
                        ladeados
                                   a brancura pungente de meus nervos
                                                           isolados
assim me tranco em mim
                e minhas mãos
e calo

                                                vOltO aO OvO
: então desnasço



5 comentários:

  1. não tenho palavras... nem nada! só olhos arregalados... To embasbacada!

    (aplausos)

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  2. sigo os aplausos de carmo...

    sem palavras. bom demais.

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  3. Simplemente incrível....Vibrante, vivo, chocante, tocante....

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  4. não penso em outra palavra a não ser genial!
    (não sei pq demorei tanto pra ler)

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  5. Prometi a poucos dias um comentário digno desse poema. O reli por um acaso, ou sendo sincera por uma busca interna, que transmutará em algo mais palpável que palavras... Então, começamos logo esse que não será um parto...
    reparei no começo do seu poema que o irromper da árvore a minha mente não era só uma dor da terra de se abrir para o novo que lhe toma, mas era mais que isso... posso comprovar que era mais e maior que a terra a irromper ou outras metáforas, o que escolhi é grandioso (o que escolhi fica absurdo) o que surgiu na minha mente pós essa releitura, foi o universo prenhe, o universo sendo rasgado e expondo de forma bruta a árvore que acaba de criar.

    HECHA EN PIEDRA – transmutou-se em meteoro, flamejante a chocar com algo fértil (que interessante terreno sua mente).

    E você continua a invasão, a erguer ereta, mas aqui pasmo, pois creio numa simbiose de transformação, a formação pra ser mais exata a criação de uma estrela que não sabe qual tamanho terá, de que importância. Então sua árvore, na minha mente tem algo de pagão... confuso? Ao perceber as diversas formas de leitura, e interpretações que posso ter dessa estrofe. E a fuga aqui, não é exatamente fuga, vira uma busca a busca da vontade de irromper o ventre a nuvem o tempo... E continuando aqui, o "h our" que no meu afrancesamento vira hora e ouro, e acaba por ser uma hora de ouro da força bruta da árvore tortuosa, como talvez seja a minha mente ou a sua...

    E "tu e eu, duplo breu" intensifica a vontade dúbia de significado que é narcer/existir em uma morte procurada e ansiada, para voltar a um primórdio, a um momento tão desapercebido a tantos olhos... o que desnasce e volta ao ovo, não é o que ali esta... mas sim quem lê, quem se percebe simplesmente maravilhosamente insignificante preenchido de significados, folhas soltas...

    por aqui paro, pois já já chega o outono e às folhas que vejo hoje já já tombam e a significação desse retorno olhar ao que escreveu terá novo lampejo de significação... assim deixe brotar tua estrela verde.

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