16.1.12

Jorge Luis Borges (ii): "No eres los otros"

Nik Christensen


Não és os outros

Não te hás de salvar o que deixaram
Escrito aquilo que teu medo implora;
Não és os outros e te vês agora
Centro do labirinto que tramaram
Teus passos. Não te salva esta agonia
De Jesus ou Sócrates nem o forte
Sidarta de ouro que aceitou a morte
Em um jardim, ao declinar do dia.
Pó é pois também a palavra escrita
Por tua mão ou o verbo pronunciado
Por tua boca. Não há queixa em Fado
E tal é a noite de Deus: infinita.
Tua matéria é o tempo, o incessante
Tempo. És cada solitário instante.


1.12.11

Guillaume Apollinaire (i): "Je n'ai plus même pitié de moi"

Jackson Pollock


Nem mais tenho mesmo pena de mim
E nem posso exprimir meu tormento de silêncio
Todas as palavras que eu tinha a dizer tornaram-se estrelas
Um Ícaro tenta elevar-se por cada um dos meus olhos
E portador de sóis queimo no centro de duas nebulosas
O que eu fiz às bestas teologais da inteligência
Quando os mortos voltaram para me adorar
E eu esperava o fim do mundo
Mas o meu chega assoviando como um furacão

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