27.3.11

[ode à noite]


Sob as horas,
do Sol, deitadas, durmo.
E, de sol,
O Sol veste mi’a pele,
rubra, ígnea,
e depois a abandona
negra insípida
dando as trevas do dia.

Pela pele
nula, nua e já fria,
      franze a noite
o dia que a anuncia;
      negra vinda
da noite ainda dia.
      Noite em dia,
sou sombra em minha sombra,
      uma em duas,
fossas fundas, vazias.

Encheu-mo Sol e levou-me
pra me não haver dia.
Ora, sombra: eis que sou
sombra sem coisa dita,
sombra de sombra: noite,
perdida noite insípida.
Será que virá hoje
à noite a sua estrela
ter meu corpo retesa?

Um comentário:

Fala o que queres. Tudo é da lei.

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